descobrir um propósito é assim tão simples?

12:54

propósitoNão é por acaso que se diz que a vida inteira é insuficiente para conhecermo-nos a nós próprios – Aristóteles ou outro sábio de sua época condensaram essa ideia em maravilhosas máximas.

Ainda considero-me um leitor/consumidor médio da área de desenvolvimento pessoal, apesar da inquestionável necessidade de viver a prática do que já absorvi em teoria, cuja essência consubstancia-se no estabelecimento de um propósito de vida, subdividido em vários objectivos e respectivas metas e tarefas para os alcançar. Porem, não tem sido fácil realizar tais intentos. Simplesmente pelo condicionamento tão enraizado e pela massacrante influência do ambiente circundante.

Tarde mas presente, tenho agora uma concepção mais clara do que significa viver um ano inteiro. O que me possibilita alocar períodos de tempo para um certo feito.

E a meta primária é ser absurdamente mais produtivo na escrita. Obter uma abordagem diferenciada do acto da escrita em si. Nunca encarei-a como um fim e também nem tanto como um meio, era mais como um monstro indecifrável, uma epopeia que consome uma vida inteira, bem como, não é, de facto, exactamente o oposto, simples e sem regras (ou princípios). Tudo dependeu de que lado da grade estive, de prisoneiro e não de homem livre. Isso mesmo. Eu fui o meu próprio obstáculo, os meus medos paralisaram-me a despeito da vontade de agir.objectivo

Levou um terço do ano para solidificar o objectivo, assim anual. O de escrever, finalmente, para o quinzenário Jornal de cultura angolano e submeter vários artigos à outras publicações do país até “furar”. Inclusive impulsionar a criação de um jornal universitário onde estudo. Mas o propósito é mesmo esse, investir tremendamente na minha qualidade de escrita, na abrangência de abordagens, na pesquisa e exploração de criatividade e fazer-se ouvir. E o local de “experiencias” é exactamente aqui neste blog, publicando, não só, mais regularmente como também artigos tendencialmente extensos e profundos.

Deparo-me cada vez mais com insights que compelem-me a seguir esta trilha. E situações, na sua maioria, instigadoras de um sentimento de desprezo das produções intelecto-culturais nessa geografia. Não quero trazer uma “ideologia de esquerda”, revolucionária. Muito pelo contrário, quero contribuir e juntar-me à pequena fracção dos que fazem o negócio da forma mais ajustada possível. Sei que vai durar (e tenho o ano todo, heheh) para alçar uma posição comodamente visível e reconfortante. Contudo, vou despistar este pensamento como fonte de motivação para mexer o meu matacó e trabalhar.

Sobejamente provei a mim mesmo, ser um bom contador de promessas, um bom espécie-de-habitante-na-cabeça. Alguém que se encanta ciclicamente com o filme mental dos seus mais profundos anseios e fica-se por aí. Das pequenas intermitências que tive desse duelo do prático contra o ideal, realizei coisas que são de se orgulhar pouco. E esta grande intensão presente, vai alinhar esses mesmos campos de batalha. Mas estou mais disposto a sacudir-me necessárias vezes para estar no controle.

imagens: algures no google

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