só acordo quando me vou deitar
23:25Sinto-me mal. O fim-de-semana passou-me despercebido, fiz pouco ou nada daquilo que devia. Hoje, segunda-feira, muito cedo acordei, ligeiramente equipado atenho-me a primeira tarefa do dia extremamente exposto à riscos sérios. Cá vou eu!
Sinto-me mal porém, não há outro jeito. Vivo numa desorganização sufocante. Numa despreocupação que me consome e aniquila aos poucos, sem parar, à todos os níveis. E dói mais ainda ao suspeitar que seja herança. Como se livrar de males herdados?
Toda essa condição encontra fertilidade quando encaro a vida com leviandade, com desleixo. Ignoro os pequenos detalhes do dia, abandono o papel de observador dos meus pensamentos, e deixo-me fluir nessa passagem imparável do tempo. Pior do que observador passivo, ocupo-me de “pseudo-afazeres”, tão ilusórios como miragem. Saciam meus prazeres imediatos; distanciam-me do esforço e do complexo; inculcam-me um senso de estar no caminho certo através de tímidos acessos ao que planejei pra vida, através de breves adiamentos ao essencial, numa aura de eterna esperança.
E eu sinto agonia, pelas desforras levadas à cama vezes sem conta. E no instante que ia descansar, somente nesse instante, eu acordava desse sono diurno sem fim, que aos poucos me convencia ser incapaz, não estar no controlo. Sim, confundido com vigília, esse estado, é de facto um sono ou um espaço intermédio entre ambos. É um lugar ‘zombie’ vindo a existência pêlos ópios argutos dessa vida.
Sinto-me revoltado. Quero acordar mais. Esforço-me a ter consciência dos fluxos de pensamentos que me visitam, a mapear com GPS as entranhas falazes do tempo. A partir de hoje verei o mundo através do objectivo cravado na retina. Buscarei soluções efectivas para um mundo prático.
Escolho ser proactivo e meu próprio senhor!
Osvaldo Sakamana
2014.02.24
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