Você V$ vida
20:28Chegamos a uma certa altura em que os conflitos internos nos devastam. E isso, de certo modo, é universal, nascemos e crescemos numa família, aprendemos de diversas fontes, ingressamos ao ensino superior exactamente numa faze que começamos a ganhar asas e a ler o mundo com as raízes da infância, se é que as tivemos. Nascem os conflitos, de toda sorte, pra uns, mais cedo e mais tarde pra outros.
Imagino que, se é alguém que sonha, já tenha vivido um desses conflitos: “você versus família” versus igreja ou versus universidade. Ou, pelo menos, alguém próximo tenha navegado por essas marés nada tranquilas.
É assim para certas pessoas porque viajam incontáveis vezes ao dia pra um futuro que desejam incorrigivelmente modelar hoje. Pessoas que buscam desprender-se das formalidades impostas pelo mundo circundante. Incrivelmente focadas em suas “loucuras”. Capazes de enfrentar a solidão, o desprezo e o impossível. São pessoas que contradizem as instituições (tradicionalmente) basilares na formação do indivíduo, como a família, a religião e a educação.
Eis aqui um facto incrível: maior parte dos grandes ícones da cultura popular (pintores, escritores, escultores, actores, cineastas…) “quebraram a caneta”, incluindo, filósofos, políticos, cientistas, inventores e teólogos…
E hoje são e foram o que conhecemos devido, não só a vontade de vencer, mas a circunstâncias de vária ordem. Assim como desconhecemos tantos, talvez mais, que o mundo simplesmente abortou.
Mas a verdade é uma: abandonaram o ensino, a formação para sonhar, para construir e desconstruir a realidade, avançaram com o método “tentativa e erro”, mergulharam nas profundezas do inconsciente e emergiram com grandes tesouros e em certos casos desgraças para humanidade. Sem contradizer o exposto aqui, houve quem desligou-se do resto do mundo para a ciência, uma ciência desnudada da rígida abordagem académica. Para de lá trazer insights do incrível universo.
Meu conselho, amigo? Se vai mergulhar, se pretende se jogar calcule o risco, pondere as circunstâncias. Porque o cálice é amargo.
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